Mostrando postagens com marcador battisti. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador battisti. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Em carta, Battisti se defende de acusação de assassinatos


Brasília - O ex-ativista italiano Cesare Battisti se defendeu, nesta quinta-feira, das acusações de ter assassinado quatro pessoas no seu país de origem no final dos anos 1970. A carta foi entregue ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) na manhã de hoje, em visita feita pelo parlamentar ao ex-ativista na penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está preso desde 2007. O senador Eduardo Suplicy é amplo defensor da permanência de Cesare Battisti no Brasil.

Na carta, Battisti afirma que nas ações realizadas dentro do grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) no país, nunca provocou "ferimentos ou a morte de qualquer ser humano" e reclamou que nenhuma autoridade o convocou para saber a sua versão dos fatos. O ativista alegou que, durante seu julgamento, que culminou na decretação de prisão perpétua, ele estava exilado no México e não pôde se defender.

Confira a carta na íntegra:

"Aos senhores e às senhoras senadoras e senadores, deputados e deputadas federais e ao povo brasileiro,

De forma humilde, desejo transmitir aos representantes do povo brasileiro no Congresso Nacional um apelo para que possam me compreender à luz dos fatos que aconteceram na Itália desde os anos 70, nos quais eu estive envolvido.

É fato que nos anos 70 eu, como milhares de italianos, diante de tantas injustiças que caracterizavam a vida em nosso país, também participei de inúmeras ações de protesto e, como tal, participei dos Proletórios Armados pelo Comunismo. Nestas ações, quero lhes assegurar que nunca provoquei ferimentos ou a morte de qualquer ser humano. Até agora, nunca qualquer autoridade policial ou qualquer juiz me perguntou se eu cometi um assassinato. Durante a instrução do processo e o julgamento onde fui condenado à prisão perpétua, eu me encontrava exilado no México e não tive a oportunidade de me defender.

Durante os últimos 30 anos, no México, na França e no Brasil, dediquei-me a escrever livros e as atividades de solidariedade às comunidades carentes com quais convivi.

Os quase 20 livros e documentários que produzi são todos relacionados a como melhorar a vida das pessoas carentes, e como realizar justiça social, sempre enfatizando que, o uso da violência compromete os propósitos maiores que precisamos atingir. Desejo muito colaborar com estes objetivos de construção de uma sociedade justa, no Brasil, por meios pacíficos, durante o resto de minha vida.

Cesare Battisti
Papuda, 03/02/11"


O caso Battisti
Cesare Battisti foi condenado à revelia pela Justiça italiana à prisão perpétua por quatro assassinatos ocorridos no final da década de 1970. Ele nega as acusações. Depois de preso, Battisti fugiu e se refugiou na América Latina e na França, onde viveu exilado por mais de 10 anos, sob a proteção de uma decisão do governo de François Miterrand.

Quando o benefício foi cassado pelo então presidente Jacques Chirac, que determinou a extradição de Battisti à Itália, o ex-ativista fugiu para o Brasil em 2004, onde está preso desde 2007. O ex-militante italiano recebeu refúgio político em 2009, em decisão do então ministro da Justiça, Tarso Genro.

No mesmo ano, o caso de Battisti foi julgado pelo STF, que autorizou a extradição, mas decidiu que a palavra final caberia ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último dia de seu mandato, em 2010, Lula decidiu manter o italiano no Brasil, acatando um parecer da AGU.

O ministro Gilmar Mendes não adiantou quando o Supremo Tribunal Federal (STF) irá analisar o pedido da defesa do italiano Cesare Battisti para que seja reconsiderada a decisão que, após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter negado a extradição de Battisti, manteve o ex-ativista preso. "Tudo será considerado a seu tempo", limitou-se a dizer Mendes.

A própria decisão de Lula será alvo de análise pelo STF, como informado pela presidente Dilma Rousseff em carta enviada ao governo italiano na última semana. Relator do caso no STF, Mendes disse que a análise será feita seguindo a decisão anterior da Corte, que reconheceu a "competência do Presidente da República para decidir sobre a extradição ou não", nos termos do tratado de extradição celebrado com a Itália.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Senado da Itália reprova decisão sobre Battisti

Andrei Netto e Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo
O Senado da Itália aprovou ontem, por unanimidade, moção pedindo ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi todo empenho pela extradição do ex-guerrilheiro Cesare Battisti, preso no Brasil. O ato, sem nenhum poder coercitivo, reflete a força do tema na opinião pública italiana.
O documento pede que o governo "percorra todos os caminhos da Justiça oferecidos pelo Supremo Tribunal Federal e, eventualmente, pelo Tribunal Internacional de Justiça", segundo a deputada Sabina Rossa.
No Rio, o presidente do STF, Cezar Peluso, previu que o caso deve ser decidido em fevereiro. Segundo ele, a corte vai analisar as razões alegadas pelo presidente Lula para justificar a permanência de Battisti. "O que o STF decidiu é que o presidente deveria agir nos termos do tratado. É isso que o STF vai examinar." 

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110119/not_imp668108,0.php

Parlamento Europeu vota pedido de extradição de Battisti para Itália.

O Parlamento Europeu vota nesta quinta-feira uma resoluçãoo pedindo às autoridades brasileiras que concedam a extradição de Batttisti à Itália. Ontem, o eurodeputado italiano Mario Mauro, do conservador Partido Popular Europeu, organizou uma entrevista coletiva no Parlamento, em Estrasburgo, com a participação dos familiares das vítimas do grupo do qual Battisti fazia parte nos anos 70.                                                             
O eurodeputado italiano Mario Mauro, do PartidoPopular Europeu, deu uma entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, ao lado de familiares de vítimas de Cesare Battisti, para sensibilizar os eurodeputados sobre a importância de se obter a extradição do ex-ativista para a Itália.
Participaram da coletiva Alberto Torregiani, Maurizio Campagna, Alessandro Santoro e Adriano Sabbadin. Torregiani ficou paralítico e assim como Santoro e Sabbadin perdeu o pai assassinado pelo grupo Proletários Armados pelo Comunismo, o grupo de Battisti, na década de 70. Campagna perdeu o irmão.
O Parlamento Europeu vota nesta quinta-feira uma resolução pedindo às autoridades brasileiras que concedam a extradição de Battisti. Citando as excelentes relações entre a União Europeia e o Brasil, o texto expressa o desapontamento dos eurodeputados com a decisão das autoridades brasileiras em negar o pedido italiano, "uma atitude que mina os princípios básicos do direito penal", segundo a resolução.

O documento pede que a decisão sobre a extradição de Battisti seja revista, levando em consideração o julgamento ocorrido na Itália. Julgado à revelia, Battisti foi condenado à prisão perpétua por participação direta ou indireta em quatro crimes. O texto da resolução lembra que o respeito mútuo, aos direitos fundamentais, inclusive o direito de defesa, e de um tratamento equitável dos assuntos marcam a relação de parceria entre o Brasil e a União Europeia.

A resolução vai ser enviada a todos os governos do bloco europeu, à Comissão Europeia, à presidente Dilma Rousseff, ao presidente do Congresso brasileiro, e ao atual presidente do Mercosul, o paraguaio Fernando Lugo.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, disse esta semana que vai reexaminar o caso Battisti, em fevereiro, levando em conta o tratado de extradição firmado entre o Brasil e a Itália. Peluzo afirmou que se o STF chegar à conclusão que a decisão tomada pelo ex-presidente Lula no último dia de seu governo contrariar o tratado, o tribunal poderá aceitar o pedido de extradição de Battisti para a Itália.

José Francisco Rezek, ex-juiz na Corte de Haia.
"A Constituição do Brasil e o tratado bilateral Brasil-Itália preveem certas coisas. Os dois textos estarão sendo violados na medida em que o Brasil não efetive essa extradição."


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cesare Battisti e a verdade histórica

Postado ontem, 16 de janeiro de 2011, 19:50:23 | Por José Augusto Miranda

Será que os brasileiros foram mais uma vez engandos? Ou será uma manipulação? Lula falou de crime político e opos-se à extradição de Cesare Battisti. Bernard-Henry Levy, filósofo frances, coloca no seu Blog a foto de Battisti ao lado da iraniana condenada à lapidação sem nenhuma explicação.
No jornal Le Monde do dia 16-17 de Janeiro de 2011, o escritor Antonio Tabucchi explica toda a hitória do "santinho" Battisti e a história de uma manipulação bem sucedida.
O leitor julgue por si mesmo!
Cesare Battisti, simples criminoso de direito comum, era um ladrão de supermercados. A sua trite história mudou quando foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios, sendo que em dois, abateu as vítimas com um tiro de revolver na nuca.
Na prisão aproximou-se de um grupo terrorista chamado PAC, proletários armados pelo comunismo. Com a ajuda destes terroristas conseguiu fugir da prisão e, a partri daí, os seus roubos mudaram de "natureza", deixaram de ser roubo e ataques à mão armada e tornaram-se "expropriações proletarianas". 
Clandestinamente Battisti fogiu para França, certo de que conseguiria asilo político. Mas a lei era clara e não abrangia quem praticasse crime de sangue.
Segundo hipóteses levantadas por alguns jornais como o "Fatto Quotidiano" de 8 de Janeiro, Battisti colaborou com a polícia, passando todas as informações que sabia sobre o terrorismo internacional. Como recompensa, segundo este jornal, o governo francês deu-lhe o "título" de refugiado político. Pouco depois, ele fugiu para o Brasil.
O que é mais ofensivo em toda esta história é que pessoas que não passaram por tudo aquilo por que passou o povo italiano, queiram e peçam a toda a Itália, tão superficialmente como fez o ex-presidente Lula, que coloque um véu sobre estes fatos, alegando tratar-se de crimes políticos, sem procurar a verdade histórica. 
Um dia esperamos saber a verdade: criminoso vulgar ou crimonoso político? Que diferença faz, a história dirá?