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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

EUA temem posicionamento anti-Israel da Irmandade Muçulmana

Fonte: Jornal O Extra

José Meirelles Passos

RIO - Nos últimos dez anos a palavra islamismo se tornou para muita gente, em especial nos Estados Unidos e Israel, sinônimo de terrorismo. Por isso, não surpreende o fato de que autoridades do governo americano — e também de países europeus — tenham se mostrado ao mesmo tempo inquietas e cautelosas com a constatação de que, para o processo de transição no Egito ser realmente democrático e legítimo, terá que contar com a participação da Irmandade Muçulmana, criada ali em 1928 e banida da vida política desde 1952.
O fator que causa calafrios político-diplomáticos vai além da dúvida se a Irmandade, de fato, renunciou à violência definitivamente — embora desde quando isso foi anunciado, nos anos 70, o grupo tenha mantido a sua palavra.
A preocupação maior é a de que, uma vez participando da vida política do Egito, a Irmandade passe a criar dificuldades para a política americana devido à sua profunda hostilidade a Israel. Para o governo israelense, a declaração de não violência seria apenas uma fachada: não passaria de uma tática de um grupo antissemita aguardando o melhor momento para agir.
Bin Laden criticou postura mansa da Irmandade
Bruce Riedel, que chefiava o setor do Egito na CIA, a agência americana de inteligência, quando Hosni Mubarak chegou ao poder em 1981, e hoje é pesquisador do Centro Saban para a Política do Oriente Médio, da Brookings Institution, em Washington, acha que a Casa Branca e o Congresso dos EUA vão ter que aprender a conviver com essa entidade que, por muitos anos, foi mencionada por eles como um bicho-papão que pairava como uma ameaça radical.
Segundo o analista, não se deve ser complacente com aquela entidade mas, tampouco, entrar em pânico:
— O presidente (Barack) Obama e a secretária (de Estado, Hillary) Clinton não devem temer a Irmandade Muçulmana. Não será fácil viver com ela, mas não se deve vê-la como um inimigo inevitável. Não precisamos demonizá-la e tampouco endossá-la — sugeriu.
As estimativas são as de que a Irmandade teria o apoio de 20% do eleitorado egípcio. Proibida de participar da vida política do país, ela utilizou o subterfúgio de estar presente nela através de parlamentares que se candidatavam como independentes. Isso aconteceu até o ano passado, quando seus representantes boicotaram o segundo turno das eleições, devido às denúncias de fraude.
A insistência da Irmandade em entrar no jogo democrático a tornou inimiga declarada da al-Qaeda. Osama bin Laden chegou a classificar o grupo como “muito manso” e “um instrumento a serviço de Mubarak e dos EUA”. Agora, diante da perspectiva de uma abertura, os líderes da Irmandade afirmam que o seu objetivo é o de fazer com que o Egito siga o modelo da Turquia: um Estado laico mas com um partido islâmico moderado no governo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Assassinato de Trotsky teria sido planejado em farmácia nos EUA

Assassinato de Trotsky teria sido planejado em farmácia nos EUA

Foto: Reprodução - Farmácia Zook, que pode ser vista em fotografias de arquivo

O assassinato de León Trotsky em 1940 na Cidade do México, onde foi atacado com um pica-gelo na cabeça, foi organizado em uma farmácia nos Estados Unidos, revela um novo livro do especialista em inteligência E. B. Held. O livro"Um guia da espionagem em Albuquerque e Santa Fé", de Held - atualmente diretor de inteligência no departamento de Energia dos EUA -, parece confirmar anos de especulações sobre a existência de um esconderijo de espiões em Santa Fé, pacata cidade do estado americano do Novo México (sudoeste).

Em um livro de memórias de 1994, "Tarefas Especiais", o espião da KGB - serviço secreto da então União Soviética -, Pavel Antolievich Sudoplatov, afirmou que uma farmácia de Santa Fé serviu de esconderijo dos assassinos de Trotsky. A nova obra de Held indica que esses esconderijo se localizava na Farmácia Zook, que pode ser vista em fotografias de arquivo, e foi substituída nos anos 1990 por uma loja de sorvetes Haagen-Dazs.

Held, de 58 anos, começou a investigar a história depois de se aposentar da CIA em 2002. Seu livro trata de outros casos de espionagem, mas o capítulo mais controvertido descreve o assassino da KGB, Josef Grigulevich, nascido na Lituânia e emigrado ainda criança para a Argentina, onde seu pai fundou uma cadeia de farmácia. Foi recrutado pela polícia secreta soviética quando era estudante em Paris e aprendeu a matar durante a guerra civil espanhola (1936-1939).

Uma vez instalado em Santa Fé, Grigulevich viajou para a Cidade do México para colocar em andamento dois planos paralelos para assassinar Trotsky, um líder da revolução de 1917 forçado ao exílio depois de confrontar Joseph Stalin. Um dos planos envolvia David Siqueiros, pintor e fundador do Partido Comunista mexicano. O outro plano dizia respeito a Ramón Mercader, um aristocrata espanhol.

Em 30 de agosto de 1940, Mercader, fazendo-se passar por um empresário canadense, atacou Trotsky com um picador de gelo. Ferido na cabeça, o russo morreu no dia seguinte. Mercader, que assegurava ter matado Trotsky porque o revolucionário o proibiu de casar-se com sua secretária, passou 20 anos na prisão. Uma vez libertado, viajou para a União Soviética, onde foi condecorado como herói.