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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eu tenho um sonho (1963, Washington)


Esse é sem dúvidas o seu discurso mais famoso. É apresentado por Dorothy I. Height.



“Há dez décadas, um grande americano, [...] assinou a Proclamação da Emancipação. Esse magnífico decreto surgiu como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que arderam nas chamas da árida injustiça. Ele surgiu como uma aurora de júbilo para pôr fim a longa noite de cativeiro.
Mas cem anos depois, o negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do negro ainda está tristemente debilitada pelas algemas da segregação e pelos grilhões da discriminação. Cem anos depois, o negro vive isolado numa ilha de pobreza em meio a um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o negro ainda vive abandonado nos recantos da sociedade na América, exilado em sua própria terra. Assim, hoje viemos aqui para representar a nossa vergonhosa condição.
E digo-lhes hoje, meus amigos, mesmo diante das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho, um sonho profundamente enraizado no sonho americano. 
Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e experimentará o verdadeiro significado de sua crença: ‘Acreditamos que essas verdades são evidentes, que todos os homens são criados iguais’ (fragmento da Constituição americana). 
Eu tenho um sonho de que um dia, nas encostas vermelhas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos sentarão ao lado dos filhos dos antigos senhores, à mesa de fraternidade. 
Eu tenho um sonho de que um dia até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, sufocado pelo calor da opressão, será um oásis de liberdade e justiça. 
Eu tenho um sonho de que os meus quatro filhos pequenos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Hoje, eu tenho um sonho.” (p. 73-76)

Um Apelo à Consciência



SINOPSE


"Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e experimentará o verdadeiro significado de sua crença."

Martin Luther King Jr. (1929-1968) foi uma das personalidades mais importantes do século XX, em especial no que diz respeito às causas sociais e aos direitos humanos. Com discursos, sermões e uma ação com base na não-violência, Luther King inspirou toda uma geração nos Estados Unidos e no mundo a buscar transformações sociais e uma vida mais justa, sem abrir mão da paz. Esse livro é uma coletânea dos principais discursos desse militante negro norte-americano que entrou para a história ao desafiar o preconceito com fé e resignação, preocupado em combater não só o racismo, mas qualquer fonte de injustiça contra o ser humano.
De uma pequena igreja batista em Montgomery, no Alabama, em meados dos anos 1950, Um apelo à consciência leva o leitor até Memphis, em abril de 1968, às vésperas do assassinato que inspirou a música In the Name of Love, do grupo irlandês U2. O livro traz também contribuições importantes, como as do Dalai Lama, da rainha do soulAretha Franklin e da ativista pioneira dos direitos civis Rosa Louise Parks. 
A obra — organizada pelo historiador da Universidade Stanford e diretor do King Papers Project, Clayborne Carson, e pelo arqueólogo Kris Shepard — recebeu a preciosa ajuda de Coretta King, falecida em janeiro deste ano, responsável pela reunião das onze introduções aos discursos selecionados. 

"Nestas páginas, celebramos a maravilhosa oratória de um dos mais importantes líderes americanos."
Da apresentação de Rosa Parks

"Foi extremamente apropriado que Martin Luther King tenha sido agraciado com o prêmio Nobel da Paz, pois ele é um dos grandes heróis de nosso tempo."
Da apresentação de Dalai Lama

sábado, 15 de janeiro de 2011

4 de abril de 1968 — O sonho de Martin Luther King



O discurso mais famoso do líder pacifista negro Martin Luther King, "I have a dream", (Eu tenho um sonho), foi proferido em 1963 em frente ao monumento em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, em Washington. Luther King referia-se ao seu desejo de que no futuro as pessoas nos Estados Unidos tivessem tratamento igualitário. Naquela dia o líder negro discursou para cerca 250 mil manifestantes vindos de todo o país, para reivindicar seus direitos a liberdade, trabalho, justiça social e pelo fim da segregação racial.

A marcha foi organizada pelo próprio Luther King, que iniciou sua luta pelos direitos civis em 1955 depois que Rosa Parks recusou-se a ceder o seu lugar no ônibus a um homem branco, conforme determinava a lei estadual do Alabama. O pastor abraçou a causa de Rosa Parks e liderou um boicote ao transportes público, que ao fim de 382 dias derrubou a lei racista.

Em 1959, Luther King visitou a Índia para conhecer melhor o significado de Satyagraha, o princípio de persuasão não violenta empregada por Gandhi na luta de independência daquele país.

O líder negro sabia do ódio que despertava nos racistas e um dia antes de morrer assassinado fez um discurso sobre as ameaças que recebia: "Temos de enfrentar dificuldades, mas isso não me importa, pois eu estive no alto da montanha. Isso não importa. Eu gostaria de viver bastante, como todo o mundo, mas não estou preocupado com isso agora. Só quero cumprir a vontade de Deus, e ele me deixou subir a montanha. Eu olhei de cima e vi a terra prometida. Talvez eu não chegue lá, mas quero que saibam hoje que nós, como povo, teremos uma terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa, não temo ninguém. Vi com meus olhos a glória da chegada do Senhor".

Morte provoca tumulto nas ruas
Martin Luther King foi assassinado em Memphis onde havia ido para apoiar uma manifestação de trabalhadores por melhores salários. Assim que a notícia da morte do líder negro se espalhou mais de 110 cidades dos Estados Unidos mergulharam no caos. Confrontos eclodiam de todas as partes, com tumultos, bombas, incêndios e saques.

A violência desenfreada levou à convocação da Guarda Nacional e até mesmo do Exército em alguns municípios. A situação mais grave foi registrada em Washington, que virou um campo de batalha na noite em que o líder negro foi morto.

5 de fevereiro de 1965 - Martin Luther King é solto



O Prêmio Nobel da Paz Matin Luther King foi solto logo após a chegada de 15 congressitas americanos a Selma, Alabama. King convocou seus colegas do Movimento pelos Direitos Civis para uma reunião na prisão, onde estava havia três dias, por liderar um protesto pelo direito ao voto dos negros. No encontro seriam estudadas as consequências da ordem judicial, expedida pelo Tribunal Federal, que exigia a aceleração da inscrição dos eleitores negros no Condado de Dallas, Alabama. O direito dos negros ao voto foi conquistado em 1965 depois dessa campanha liderada por King.

O pastor da igreja batista iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos em 1955, quando Rosa Parks, uma mulher negra, negou-se a dar seu lugar em um ônibus para um branco e foi presa por isso. King e os líderes negros de Montgomery organizaram um boicote aos ônibus contra a segregação racial no transporte. A campanha durou 381 dias. Durante esse período, o pastor recebeu ameaças, foi preso e teve sua casa atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial nos ônibus.

Depois de encontrar-se com Mahatma Gandhi, líder da luta pela independência da Índia, em 1959, King passou a adotar o princípio de persuasão não violenta empregada por Gandhi naquele país como o seu principal instrumento de protesto social. King pregava a fraternidade e disse em um dos seus famosos discursos: "Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos''

O pastor foi assassinado em abril de 1968 em Memphis, Tenessee, por um branco que havia escapado da prisão. Desde 1986, no terceiro domingo de janeiro é comemorada a conquista dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos e são feitas homenagens a Martin Luther King, defensor da paz e da justiça.

Fonte: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=11318